Hoje, a leitura da obra de Camões volta a unir escolas e bibliotecas de todo o país.
Há textos que atravessam séculos porque continuam a falar connosco. Ler Camões, em conjunto, é renovar esse diálogo e celebrar uma herança literária comum.
Porque ler Camões é ler o mundo.
Porque ler juntos é construir cultura.
Para assinalar este momento coletivo selecionamos o soneto seguinte, de Luís de Camões.
Correm turvas as águas deste rio,
Que as do céu e as do monte as enturbaram;
Os campos florescidos se secaram,
Intratável se fez o vale, e frio.
Passou o Verão, passou o ardente Estio,
Úas cousas por outras se trocaram;
Os fementidos Fados já deixaram
Do mundo o regimento, ou desvario.
Tem o tempo sua ordem já sabida;
O mundo, não; mas anda tão confuso,
Que parece que dele Deus se esquece.
Casos, opiniões, natura e uso
Fazem que nos pareça desta vida
Que não há nela mais que o que parece.

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